Pandora (em grego, Pandôura) é o mito da ambigüidade e da duplicidade; ela, que é um pouco de cada um dos deuses, e que deles recebeu todas as qualidade, oferece-as a todos os homens. Artificialmente fabricada (foi um presente dos deuses para os homens), era a cópia de um modelo que era ela mesma, criando uma circularidade perfeita. Esse mesmo conceito apropria-se da vitrine: um mundo cuja cópia se apresenta num espaço centralizador de olhares.
A vitrine, ao mostrar um produto contido numa encenação, molda o desejo de quem a olha pois, primeiro, pela atração, ela nos faz parar e ver o que é apresentado. Num segundo momento, ficamos imobilizadas e seduzidas pelo cenário de onde cresce a irrestivel tentação de possuir o objeto exposto. Tudo isso em frações de segundos porque tem-se um sujeito potencialemente pronto a apreender o que vê deixando-se seduzir ou predisposto a entrar em fusão, ou contágio, com o produto apresentado. É pela cognição e pela estética que o vitrinista constrói, molda seu cenário e cria as pistas para o espectador sentir um tipo de vertigem visual, que tanto o suga para a encenação como a lança ao interior da loja, como quando uma caixa é aberta e mergulha-se para dentro dela.
Mito e sonho são os dois universos presentes no dia-a-dia de todos e são um dos fios poéticos entrelaçadores neste trabalho, no qual a promessa de esperança está nos dois, na vitrine e em Pandora.
Vitrinismo é mais uma das vertentes do meu trabalho como artista plástica. Construir cenários esteticamente belos e poder abusar da criatividade a favor da arte é incrivelmente prazeroso. O blog ficou abandonado esta semana, e o motivo foi estar trabalhando em uma vitrine que logo logo mostro por aqui....
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| imagem: arquivo pessoal by Fabiana Martins |
Esta imagem é da primeira vitrine que eu fiz a quatro anos atrás... o conceito que usei para a coleção de outono/inverno da loja, foi construir um enorme álbum de fotografias onde os manequins representariam o observador (a). As fotos são paisagens típicas da estação do ano em Milão, Paris, NY e São Paulo, e foram impressas em tecido (voil) para dar transparência e delicadesa, sem ofuscar o interior da loja. No vidro coloquei adesivos em formato de cantoneiras que remetem às fotografias de um álbum pessoal. Adorei o resultado e é uma pena que nesta imagem não de para ver os detalhes... ficou muito bonito (rs)!
Vou falar mais sobre o assunto daqui pra frente, prometo (rs)!
Fonte: Sylvia Demetresco - doutora em Semiótica da PUC SP, responsável por centenas de vitrines no Brasil e no exterior
Vou falar mais sobre o assunto daqui pra frente, prometo (rs)!
Fonte: Sylvia Demetresco - doutora em Semiótica da PUC SP, responsável por centenas de vitrines no Brasil e no exterior


























